capa: Rafael Souza
*poemas *textos *aforismos
Primeiras páginas do livro:




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poema em destaque:
Cachorro Atropelado
Eu vi um cachorro estirado na pista.
Alguém disse que era turista
Outro falou que era artista
Obrigado a ser trapezista
Por isso fugiu do canil.
Ele queria era ser cantor
quando chegou no Brasil.
Tinha Pedigree de pastor
Herança do seu bisavô
Um cão Comunista.
Cachorro tem alma, não,
Rezou o padre cristão.
Discordou o monge budista
Falando em reencarna-cão.
Ele estava na contra-pata
Diagnostico do ortopedista
Ou era legista?
Que ele era daltônico
Falou o oculista
Desobedeceu a sinaliza-cão
Afirmou o bom motorista.
Caso de homicídio
Suspeitou a policia
Chamando a pericia.
Suspeita de suicídio
Escreveu o jornalista
Dando a notícia
Jornal sensacionalista.
Ele estava drogado
Acusou o cara de fogo
De fogo Paulista
Que vivia chapado
Me desculpando, retruquei:
Escrevi de careta.
E no sinal pra rimar,
Me mandei de lambreta.
Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões
*esse poema faz parte da Coletânea "Literatura Marginal" Editora Agir e da Coletânea do Sarau do Binho, um movimento poético da Z,Sul de São Paulo
texto em destaque:
* esse texto faz parte de uma coletânea da Editora Agir com o titulo "Literatura Marginal" e de uma edição especial da Revista Caros Amigos com o mesmo titulo.
texto em destaque:
Barco de Ilusões
Durante muito tempo naveguei pelos mares da vida, num barco de ilusões.
Um barco sem remos, nem proa, à deriva, com a única finalidade de fugir das tempestades de tédios e calmarias de ansiedades.
E, por navegar à deriva, foram tantas as vezes que cheguei despedaçado em ilhotas perdidas nos oceanos da vida real.
E, aí, as náuseas e enjoos que eu não sentia no barco imaginário, agora eram insuportáveis, e não me restava outra alternativa que não fosse o barco de ilusões.
Os naufrágios se seguiam sucessivamente, ora causados por icebergues de tristezas, ora pela insanidade de um marinheiro perdido num mar de angústias, ora pela fragilidade da embarcação, construída em fantasias.
A cada viagem, um naufrágio, e a cada naufrágio, mesmo despedaçado, uma nova viagem. Sem rotas estabelecidas, sem ao menos uma estrela para me guiar, “porque viajar era preciso, viver sem viajar não precisava”.
Quantos tripulantes sucumbiram, outros tantos obrigados a embarcar um navio cheio de grades, rumo ao porto chamado liberdade.
A cada dia este marujo se tornava mais marcado, as viagens agora compulsivas, e as paisagens, já não mais coloridas, e sim, cinza-fúnebre.
E, à deriva só restava aguardar o naufrágio final que redimiria, visto que as águas vivas, haviam queimado e feito arder minha alma a tal ponto, que não via mais saída, pois as marcas eram profundas, e as sequelas visíveis.
Até que num novo choque com alguma embarcação que encalha os encalhados, quando estava prestes a me atirar, eis que no horizonte me surge uma luz. No início um tanto opaca, mas seu brilho foi aumentando, aumentando, e iluminou meu coração.
Era a luz de Deus. Do Deus dos desgraçados, dos marinheiros desgarrados, dos náufragos despedaçados.
Esta luz tão intensa, hoje é a luz que me guia, não nos mares revoltos dos pesadelos das drogas e do álcool, mas sim em terra firme. Troquei o barco de ilusões por um de dignidade, construído não de fantasias, mas sim de amor a Deus, a mim e a todos os navegantes.
Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões
* esse texto faz parte de uma coletânea da Editora Agir com o titulo "Literatura Marginal" e de uma edição especial da Revista Caros Amigos com o mesmo titulo.

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