segunda-feira, 16 de março de 2015

Saudades de Mim

Saudades de Mim

Quando penso em você,
Eu me lembro de mim.
Saudades de mim
Amando você.

Saudades do amor,
Saudades de mim.
Saudades da cor
No nosso jardim.

Saudades do-cê
Morando em mim.
Saudades de mim,
Vivendo em você.

Saudades de tudo

Que eu não pude viver.
Saudades daquilo
Que eu nem quis saber.

Saudades de mim,
E também de você. 

 Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões


O Leão Sol e a Abelha Lua de Mel


O Leão Sol 
e a 
Abelha Lua de Mel

romance 116 páginas ricamente ilustradas.

Relacionamento entre pais e filhos, a questão das drogas e alcoolismo, sexualidade, e o amor em todos os níveis e formas. Desde as formas mais primitivas da paixão, aos níveis mais elevados do amor incondicional. Também há uma religiosidade implícita, mas , sem compromisso religioso por conduzir na busca interior. É um trabalho diferenciado pela crença num cenário literário que impulsionado pelas emoções emerge dos sonhos, confundindo-se com a realidade, transportando o leitor ao universo mágico do amor e do conhecimento.
                                                          Baixe o livro gratuitamente!
 Veja ilustrações, prefácio e introdução;
Capa e ilustrações; Glória Cassia da Silva


















Prefácio
(Lauren de Moraes Ferreira)

O autor Maurício Marques em seu livro, O Leão Sol e a Abelha Lua de Mel, optou por abordar assuntos cotidianos de uma forma envolvente, trazendo ao leitor respostas á questões muitas vezes ocultadas pela correria do dia a dia ou pela simples ausência de uma conversa, através de um misto de realidade e sonho.
Com um tom informal ele aborda temas como amor, paixão, vícios, sexo, família e outros. Consegue mostrar que o irracional não se diferencia tanto do racional quanto imaginamos quando temas como estes estão envolvidos, onde todos agimos por impulso, por razão ou até mesmo por instinto, correndo atrás do que julgamos ou sentimos que é certo, tropeçando nas armadilhas da vida e aprendendo com cada experiência vivida.
Envolvente, cativante e totalmente dentro de nosso dia a dia este livro nos faz refletir o que verdadeiramente somos, o porquê estamos aqui e o porquê de muitas coisas que vivemos.
É preciso prestar muita atenção a cada detalhe da história para entender as suas mensagens que com certeza trazem boas lições.


Lauren de Moraes Ferreira, Jornalista e Escritora.


Introdução

Somos infinitamente grandiosos na nossa essência.
O sentido da razão e das emoções, a consciência existencial nos confere toda a criação.
Somos filhos de Deus, logo, deuses somos.
Porém, em nossa condição primitiva, obedecemos aos mesmos instintos egocêntricos comuns aos animais.
Numa completa inversão dos valores cósmicos, quando o “todo” está para o “uno”, como se todo o universo estivesse tão somente para satisfação de necessidades, ou para a mera contemplação.
Diferente das abelhas, estranhos insetos camicazes, que não hesitam em sacrificar suas próprias vidas ao menor sinal de perigo para a colmeia.
Criaturinhas cuja obediência à ordem coletiva permite viver numa comunidade utopicamente perfeita e, na flor, sem nada destruir, obter o material necessário para produzir e se alimentar do mais puro, nutritivo e saboroso dos alimentos naturais.
Não obstante, o caráter egocêntrico nos confere o sentido de unidade, afinal, somos parte, porém, parte única de um “todo” que contém e no qual também estamos contidos, numa relação intrínseca.
Portanto, o equilíbrio individual implica o equilíbrio global e ao trabalharmos para o nosso aprimoramento íntimo pessoal, transcendendo o nosso primitivismo, estaremos interagindo no progresso de todo o universo.
O Autor.



Maurício Carvalho Marques

Maurício Francisco Carvalho Marques, nasci no Rio de Janeiro no começo dos anos sessenta.
Ainda criança , vim com a família para São Paulo, e depois de morar algum tempo pros lados do Jardim São João Climaco, fixamos residencia em Taboão da Serra, município da grande São Paulo, onde cresci.
A minha formação é  Técnico em Contabilidade, e profissionalmente trabalhei em diversas empresas como contador, e também fui proprietário de uma pequena empresa de assessoria empresarial.
Isso até 1999, quando acontecimentos de ordem pessoal, levaram-me a uma profunda reflexão sobre a minha vida, obrigando-me a rever os meus valores.
Foi quando eu percebi que eu poderia fazer qualquer coisa que eu quisesse e até mesmo não fazer nada que quisesse, que não me atraísse ou desafiasse e que não me trouxesse satisfação pessoal.
Decidi então romper com a minha profissão que outrora fora prazeroso e desafiador exerce-la, mas há tempos se tornara algo maçante, aprisionador e causadora de neuras. E buscando uma nova perspectiva de vida, interrompi uma carreira em que sempre fui considerado um profissional brilhante por patrões, clientes e colegas de trabalho, mas também marcada por sucessivos recomeços causados por problemas decorrentes da dependência química.
E foi nessa época que um antigo ideal literário veio a tona e escrevi o livro "O Leão Sol e a Abelha Lua de Mel, lançado no final de 2004.
Acredito que o condicionamento mental e as responsabilidades da minha antiga profissão, não permitiram escreve-lo porque exigiu total entrega de" corpo e alma"
Em 2005 participei de uma coletânea da Editora Agir com o titulo de "Literatura Marginal"
Em 2006 lancei o livro Barco de Ilusões.
Em 2013 participei da coletânea do Sarau do Binho  um movimento poético da Zona Sul   São Paulo.
Atualmente estou trabalhando em alguns projetos que incluem, Um CD de musicas,Um Curta metragem e outros três livros.

                                                      Linha do tempo:
essa foto esta na contra capa do livro Barco de Ilusões
"esse bebe sou eu"
essa foto marca um tempo em que eu queria" saber bem mais que os meus vinte e poucos anos"
essa foto foi tirada no dia do lançamento do livro O Leão Sol e a Abelha Lua de Me, em Embu das Artes


duas fotos mais recentes:




Cachorro Atropelado


Cachorro Atropelado
Eu vi um cachorro estirado na pista.
Alguém disse que era turista
Outro falou que era artista
Obrigado a ser trapezista
Por isso fugiu do canil.
Ele queria era ser cantor
quando chegou no Brasil.
Tinha Pedigree de pastor
Herança do seu bisavô
Um cão Comunista.
Cachorro tem alma, não,
Rezou o padre cristão.
Discordou o monge budista
Falando em reencarna-cão.
Ele estava na contra-pata
Diagnostico do ortopedista
Ou era legista?
Que ele era daltônico
Falou o oculista
Desobedeceu a sinaliza-cão
Afirmou o bom motorista.
Caso de homicídio
Suspeitou a policia
Chamando a pericia.
Suspeita de suicídio
Escreveu o jornalista
Dando a notícia
Jornal sensacionalista.
Ele estava drogado
Acusou o cara de fogo
De fogo Paulista
Que vivia chapado
Me desculpando, retruquei:
Escrevi de careta.
E no sinal pra rimar,
Me mandei de lambreta.

Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões

*esse poema faz parte da Coletânea "Literatura Marginal" Editora Agir e da Coletânea do Sarau do Binho, um movimento poético da Z,Sul de São Paulo

Cronica de Sentimentos

                           Cronica de Sentimentos

Tristeza e Solidão, não são boas companhias. Suas presenças fazem-me sentir triste e solitário.
Mas, o que posso eu fazer se depois que o amor se foi, as duas  invadiram e se apossaram da casa, que já nem sei se ainda é a minha casa.
- Toc, toc, toc, .... – Ouço bater na janela.
Aproximo-me preocupado, e desconfiado, pergunto:
- Quem está batendo?
- Sou eu, Amor, abra a janela!
Incrédulo e tremulo, colo o ouvido na janela e murmuro:
- Amor!? Você voltou?
- Sim, estou aqui na janela porque Mágoa esta na porta pra impedir que eu entre e também a você de sair. Por favor, abra a janela pra que eu possa entrar!
Medo,  o   outro   companheiro  de  quem   eu   não  falei
porque já o considerava ausente.  Mas, também, pudera ... Sempre escondidinho!  Mas, agora se fez presente, e hesitante respondo:
- Não, eu não posso. Essa casa está velha e desarrumada, e seus moradores não querem receber visitas que possam considerar inoportunas.
O Amor insiste:
-          Sendo assim, essa casa não é boa pra você morar. Saia e vamos embora comigo. Porém, essa é uma decisão unicamente sua. Posso convidá-lo a me seguir, mas, não poderei levá-lo se você não me permitir.
Penso no Medo, em Tristeza e Solidão; e também em Mágoa,   sempre   ali    na   porta    estirada   como   uma    poça de uma má água que corre no peito feito um rio sem leito e não deságua.
E, sentindo uma enorme pena desses sentimentos que há muito me acompanham, tomo a decisão:
- Medo, Tristeza e Solidão, estou indo embora. Fique com a casa, fiquem com tudo. Criei asas pra sobrevoar o mundo. Mágoa, por favor, não me impeça de sair e seguir o meu amor.

 Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões





















31

Ok doutor

OK Doutor, o Senhor venceu... Mas, a Utopia se Realizará, sim.

       Ok, doutor, o senhor venceu. A Utopia não se realizará.
       Dou-me por vencido... Que força teria qualquer argumento meu diante da prova cabal e fulminante que vossa senhoria me apresenta, o dicionário aberto na página onde a palavra utopia encontra-se grafada. Utopia, projeto irrealizável, fantasia, quimera, etc.
       Sim, doutor, eu estava enganado quando afirmei acreditar na realização da Utopia.
       Como fui tolo e incoerente em acreditar que algo intangível e inatingível poderia ser alcançado.
       Parabéns, doutor! Como um advogado, o senhor abriu o dicionário, como se este fosse a carta magna e brilhantemente impetrou um mandado  de segurança contra a instauração da Utopia.
       Provando que morfologicamente a etimologia contraria a dialética, conferindo a Utopia um caráter totalmente inconstitucional.
       Eu até pensei que poderia convencê-lo ao citar Aldous Huxley em seu comentário sobre o Admirável Mundo Novo, quando ele diz que “O medo da humanidade é que as Utopias se realizam”.
É claro que se Aldous conversasse com vossa senhoria, teria que rever o seu conceito e até mesmo que se retratar por ter dado à palavra utopia um sentido representativo da soma dos anseios e aspirações individuais. A ampliação para o coletivo dos ideais mais românticos e menos egoístas.
A vontade e motivação maior da alma humana resplandecida e verbalizada em um som, inaudível àqueles que   e verbalizada em um som, inaudível àqueles que insistem em tapar os ouvidos, mas, ecoando num canto de chamamento, convidando à felicidade todos os povos, reunindo-os em uma única nação, onde tremula desfraldada no horizonte a bandeira da paz e do amor maior;; epa, desculpe-me, doutor,  acho que agora viajei um pouquinho além,...Mas, buscando expressar-me de uma maneira mais racional, conforme vossa senhoria deve preferir; aquilo que Carl Jung denominou como “Inconsciente Coletivo”.
Ok, doutor, o senhor venceu, a Utopia não se realizará, porque, se ousar contrariar a gramática, será condenada a desaparecer das mentes e espíritos ao desintegrar, fragmentando-se e incorporando-se ao mundo que chamamos realidade. Assim como os nossos sonhos que deixam de ser sonhos quando se realizam; aquilo que um dia foi considerado utópico, como as viagens espaciais, a comunicação a distancia, o computador, a clonagem, enfim, isso e muito mais, hoje em dia não passam de simples questões tecnológicas. Nem ao menos realismo fantástico pode ser considerado.
       Pois é, doutor, mas o senhor jamais se deixaria convencer por balelas, quimeras sofismá ticas, não é mesmo, doutor?
       Ok, doutor, mas, por favor, permita-me ao menos em consideração à bravura com a qual debati defendendo a utopia (que não existe), continuar vibrando e conspirando favoravelmente pela realização dos ideais mais altruístas dos homens, pelo menos os de boa vontade.
       O desejo de um mundo novo alicerçado nos mais nobres valores de justiça e liberdade. Um mundo onde a exploração do homem pelo homem não ocorra, simplesmente por este ser um comportamento desumano.
       Onde todos, sem distinção, são iguais em direitos e oportunidades  e  o  valor  individual   avaliado   apenas   pela     maior    ou    menor   capacidade     para     servir(independente da conta bancária). Um lugar onde as leis pudessem ser traduzidas em simples recomendações, como: O respeito à natureza e tudo que exista nela em especial o respeito próprio e ao semelhante. Um lugar onde as competições tenham como único objetivo á auto-superação física, mental, artística, cultural e produtiva.
       Uma terra onde todos os seus pomares, suas roças, seus mananciais e riquezas sejam comuns a todos.
       Bem, doutor, ainda me resta o consolo da promessa da terra prometida habitada por seres verdadeiramente humanos.
       É, doutor, o senhor pode até dizer que sou um sonhador, mas vai se preparando..., Porque como disse John Lennon, eu já não sou o único...
       Ok, doutor, mas pensando melhor, vá à merda com seus falsos valores e com a sua falsa descrença no potencial humano de se auto-governar.
       Vá à merda com aquela sua falsa ideia de que o homem só funciona sendo submetido, e que alguns nasceram para serem senhores, enquanto a maioria quase absoluta nasceu para ser escravo...
       Caro doutor. é perfeitamente compreensível a sua postura. Vossa Senhoria defende os seus falsos valores, numa tentativa inútil de neles acreditar. E assim justificar sua condição de homem rico, sem nenhuma contrapartida produtiva. Em um país, onde aqueles que têm trabalho; trabalham tanto por tão pouco, imagino o sentimento de culpa que carregam aqueles que possuem tanto sem nada produzir, culpa esta, a responsável pelas neuroses dos teomânicos burgueses.
       Ainda mais no seu caso, que o dinheiro foi herança do pai, um político, que fez em sua vida pública o que todos nós fazemos melhor na privada,  e  cujos  vencimentos recebidos, nem de longe justificaria a fortuna que acumulou e lhe deixou, deixando também o legado de sua má índole e neuroses egocêntricas.
       Assim sendo, doutor, os sonhos de justiça dos oprimidos e vítimas da exploração, são também, os pesadelos dos opressores e exploradores que sempre encontrarão dispositivos legais ou não, valendo-se até mesmo do dicionário, se for preciso, para impedir a Utopia.
       Doutor, pra você, melhor nem pensar que o equilíbrio individual implica no equilíbrio coletivo e que o equilíbrio coletivo é reflexo do equilíbrio individual, porque isso implicaria em responsabilidades, não é mesmo doutor?
       Ok, você venceu, mas a Utopia se realizará, sim! E se o senhor seu avô fosse estéril ou simplesmente tivesse sido castrado antes de procriar, com toda a certeza, ela estaria um pouco mais próxima!  

Maurício Carvalho Marques, livro "Barco de Ilusões"

Um Homem

Um Homem


Chamado Jesus
Morrendo na cruz
Acendeu a luz
Que a Deus conduz

                     Deus maravilhoso                      + Sábio dos profetas
                      Irmão amoroso                         Maior dos poetas.

Quanto mais humano
Querem te parecer
Mais ainda eu te amo
Por me compreender

Deus maravilhoso
+ Sábio dos profetas
Irmão amoroso
Maior dos poetas.



 Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões

Ela e Eu




Ela falava de Sonhos, eu sonhava
do livro Barco de Ilusões
Baixe o livro e as musicas do autor gratuitamente!

www.poetamauriciomarques.com.br

Ela e Eu


                                                                        Ela e Eu

Ela falava de sonhos,
Eu sonhava.
Ela falava de lugares,
Eu viajava ...
Ela falava de fé,
Eu acreditava. (abraçava)
Ela sabia tudo de anjos,
Eu acendia velas. (pro meu e pro dela)
Ela gostava de flores,
Eu cuidava do jardim.
Ela tinha ideais,
Eu corria atrás.
Ela era atriz,
E, representava muito bem.
Ela era bailarina,
Eu dancei.

Maurício Carvalho Marques,  livro Barco de Ilusões
baixe os livros e as musicas do autor gratuitamente




Jãozoião e - Verdadeira Falsidade Ideologica

Jãozoião
Em tua noite escura, teus olhos são pequenos
 diante da inveja que sentes daqueles que claros são os dias.
  

Verdadeira Falsidade Ideológica
E, no caminho dos desencontros, encontrei: falsos religiosos,
 falsos profetas e até mesmo falsos ateus, mas, sempre o que mais me entristeceu
, foi ter deparado-me com falsos poetas.



 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões

Cavalo no Aquário - Caminheiro

Cavalo no Aquário

Cavalo Marinho
No aquário sozinho.
Longe vai
Cavalgadas livres
Em campos verdes-mares
Sem cercas nem limites
Pra cavalgar.
Cavalo Marinho
No aquário sozinho.
Liberdade
Cavalgada livre
De cavalo marinho.


Caminheiro

Caminheiro, caminhador,
Caminho.
Com a minha dor
De caminhar sozinho

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões



Cachorro Atropelado


Cachorro Atropelado
Eu vi um cachorro estirado na pista.
Alguém disse que era turista
Outro falou que era artista
Obrigado a ser trapezista
Por isso fugiu do canil.
Ele queria era ser cantor
quando chegou no Brasil.
Tinha Pedigree de pastor
Herança do seu bisavô
Um cão Comunista.
Cachorro tem alma, não,
Rezou o padre cristão.
Discordou o monge budista
Falando em reencarna-cão.
Ele estava na contra-pata
Diagnostico do ortopedista
Ou era legista?
Que ele era daltônico
Falou o oculista
Desobedeceu a sinaliza-cão
Afirmou o bom motorista.
Caso de homicídio
Suspeitou a policia
Chamando a pericia.
Suspeita de suicídio
Escreveu o jornalista
Dando a notícia
Jornal sensacionalista.
Ele estava drogado
Acusou o cara de fogo
De fogo Paulista
Que vivia chapado
Me desculpando, retruquei:
Escrevi de careta.
E no sinal pra rimar,
Me mandei de lambreta.

Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões

*esse poema faz parte da Coletânea "Literatura Marginal" Editora Agir e da Coletânea do Sarau do Binho, um movimento poético da Z,Sul de São Paulo





Eu e Deus

Eu e Deus
Eu sou pequeno, um quase nada.
Mas, meu Deus é grande, muito mais que tudo...

Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões

Barco de Ilusões

Barco de Ilusões

Durante muito tempo naveguei pelos mares da vida, num barco de ilusões.
Um barco sem remos, nem proa, à deriva, com a única finalidade de fugir das tempestades de tédios e calmarias de ansiedades.
E, por navegar à deriva, foram tantas as vezes que cheguei despedaçado em ilhotas perdidas nos oceanos da vida real.
E, aí, as náuseas e enjoos que eu não sentia no barco imaginário, agora eram insuportáveis, e não me restava outra alternativa que não fosse o barco de ilusões.
Os naufrágios se seguiam sucessivamente, ora causados por icebergues de tristezas, ora pela insanidade de um marinheiro perdido num mar de angústias, ora pela fragilidade da embarcação, construída em fantasias.
A cada viagem, um naufrágio, e a cada naufrágio, mesmo despedaçado, uma nova viagem. Sem rotas estabelecidas, sem ao menos uma estrela para me guiar, “porque viajar era preciso, viver sem viajar não precisava”.
Quantos tripulantes sucumbiram, outros tantos obrigados a embarcar  um navio cheio de grades,  rumo ao porto chamado liberdade.
A cada dia este marujo se tornava mais marcado, as viagens agora compulsivas, e as paisagens, já não mais coloridas, e sim, cinza-fúnebre.
E, à deriva só restava aguardar o naufrágio final que redimiria,  visto que as águas vivas,  haviam queimado e feito arder minha alma a tal ponto, que não via mais saída, pois as marcas eram profundas, e as sequelas visíveis.
Até que num novo choque com alguma embarcação que encalha os encalhados, quando estava prestes a me atirar, eis que no horizonte me surge uma luz. No início um tanto opaca, mas seu brilho foi aumentando, aumentando, e iluminou meu coração.
Era a luz de Deus. Do Deus dos desgraçados, dos marinheiros desgarrados, dos náufragos despedaçados.
Esta luz tão intensa, hoje é a luz que me guia, não nos mares revoltos dos pesadelos das drogas e do álcool, mas sim em terra firme. Troquei o barco de ilusões por um de dignidade, construído não de fantasias, mas sim de amor a Deus, a mim e a todos os navegantes.
                                          Maurício Carvalho Marques, livro Barco de Ilusões

* esse texto faz parte de uma coletânea da Editora Agir com o titulo "Literatura Marginal" e de uma edição especial da Revista Caros Amigos com o mesmo titulo.

O presente - Pra você

O presente

O presente é um presente
Se você esta presente.
Ah... Eu fico contente!

Pra Você

Queria te fazer
Um verso.
 Feito poeta que sabe rimar,
Amar e Mar.
Se a rima é pobre,
Me desculpe.
Não sou tão nobre.



 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões

Passsaredo

Passaredo

Entre o pardal e a juriti
O gavião passará
Passaredo
Se libertar
Manhã cedo
Vai clarear
Perder o medo.
Entre o pardal e o colibri
O bem-te-vi
Todo mal viu
O bem e o mal
Passará
Passaredo
Se libertar
Manhã cedo
Vai clarear
Perder o medo.


 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões