Pras
Minas e pros Manos.
É só maldade do outro
lado da cidade.
Periferia, noite é
dia;
Tem dia, quando chega
a noite,
É daquele jeito:
É fóda!
O Mal anda destacado
Em companhia
De matadores
Caçadores desumanos
De humanos.
É só maldade do outro
lado da cidade.
O Bem, bem disfarçado
No sorriso da criança
Traz esperança
De um dia
Nossa periferia
Inserida no contexto
Igualdade em
oportunidades
A favela, grande
irmandade.
Mas, é só maldade do
outro lado da cidade.
O mal escancarado
Na fome e na miséria
Que atenta implacável
Contra os sonhos
E contra a fé.
É só maldade do outro
lado da cidade.
O mal escachado
No político desonesto
Assaltante à mão
desalmada.
Latrocída, infanticida
Culpado da infância
sofrida.
É muita maldade do
outro lado da cidade.
Mas, o bem se faz
presente
No pai de família
Na mina de fé
Na dona Maria
No mano firmeza
Que insiste
Resiste
Acredita
Na paz, compreensão
E o bem maior
A consciência
Que somos todos
irmãos.
Minas e Manos.
Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões