segunda-feira, 16 de março de 2015

Amor Cego de Odio

Amor Cego de Ódio

Eu te amo,
Amor desvalido, desguarnecido.
Eu te amo,
Amor não vivido, não resolvido.
Eu te amo,
Amor sofrido, condoído.
Eu te amo,
Amor ferido de morte, desprovido de sorte.
Eu te amo,
Amor imperfeito, insatisfeito.
Eu te amo,
Amor cansado, amargurado.
Eu te amo,
Amor sem paz, sem paz...
Eu te amo,
Amor cego de ódio.


 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões

Mandala Girassol

Mandala Girassol

Girassol Girador.
Girassol minha flor.
Gira Girassol.
Gira, Gira,
Gira o Céu, Gira o Sol, Gira a Lua
Gira a Terra, Gira o Mar
Giram Estrelas, Gira (e faz girar)
Gira eu, Gira você
Giram eles, Giramos nós
Desatando os “nós”
Gira Girassol Girador
Gira, Gira
Gira a roda do meu amor.
Gira
Gira Tempo, Gira Espaço
Gira pensamento, Gira Mundo
Gira momento
E, num segundo
Desfaz o laço.
Gira, Gira só
Gira    
Girassol

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões



Confuso

Confuso

Essa nostalgia
Essa agonia
Essa vontade
De ter vontade
De viver
Essa saudade de você
Esse desejo
De desejar
Essa busca inútil
Esse descaminho
Estou confuso
Estou perdido
Sem caminho
Pra te encontrar
Estou confuso
Estou sozinho
Sem saber se é assim
Que quero estar.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões





pra Ela

Pra ela

Queria cantar
Um canto
Contado
Que cantasse pra ela
Meu pranto
Derramado por ela.
Queria contar
Um conto
Cantado
Que contasse pra ela
Meu pranto
Derramado por ela.
Um Canto
Contado
Num Conto
Cantado
Pra ela.
   
Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões






Te Penso - O X da Questão

Te Penso

Direi, te penso.
Dir-me-ás:
Em tal dialética,
Que contra-senso.
 Responder-vos-ei:
Nada sei de fonética,
Porém, te penso.
Sem tua gramática,
Nem minha aritmética.
Se te pensar
Estiver pra matemática.


O “X” da Questão
Estou completamente apaichonado, e com “CH”, eis o “X” da questão.

                                             Maurício Carvalho Marques
                                              livro Barco de Ilusões

Alma Sedenta

Alma Sedenta

Cheirei todo o pó
Que  não podia.
Fumei todo o fumo
Que  não devia.
Bebi toda a cachaça
Que eu não merecia.
Pra saciar a sede
Que nem com água sacia.

 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões
  



Mas, aquele que beber dessa água, não mais sentirá sede.
João, cap. 4 v. 14



pra Você Voltar

Pra você voltar
Quando você voltar,
Ah, Quando você voltar...
Vou ficar tão contente,
Que de alegria vou cantar,
Vou pular, vou dançar,
Vou gritar, e vou chorar.
Quando você voltar.
Ah, quando você voltar...
Vou ficar doidinho
Vou subir na laje
E gritar pros vizinhos:
-Disseram que ela não voltaria
Viram? Estavam enganados
Porque ela voltou.
Quando você voltar,
Ah, quando você voltar...
Vou preparar uma comida gostosa
Vou enfeitar a casa com rosas
Vou fazer ginástica
Vou melhorar a plástica
Vou dar banho no cachorro
E espalhar pra todo o morro:
Ela voltou!
Quando você voltar,
Ah quando você voltar...
Mas, você não voltará.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões


Na solidão do Quarto = Revolta

Na Solidão do Quarto

Estranho quarto solitário,
Quase sempre sozinho...
Às vezes me encontra,
Quando estou só
Na solidão do quarto

Revolta


Rê,
Quando você foi embora,
me encheu de revolta.
Rê, volta!

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões







Bilhete pra Solidão - Amor Condor

Bilhete pra Solidão

Solidão
De agora te chamarei
Solidinha
Ou então
Solidade               
Vá embora
Prefiro saudade.


Amor Condor

Eu te amo tanto,
Mas, tanto ...
Não da pra dizer
Nem em poesia.
Se as vezes choro (mentira)
Por esse amor condor
Ainda bem
Que é só poesia.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões






27

Pra Jose

Pra Jose

Ah esses moços
Essas moças
Se soubessem tudo aquilo que  sei,
Lições que aprendi.
Não cometeriam tantos erros,
Tantos erros...
Erros que eu cometi.
Não maltratavam seus amores
Não destruíam seus sonhos
Não atraiam tantas dores.
Tantas dores...
Dores que eu senti.
Ah esses moços
Essas moças
Se soubessem tudo aquilo que  sei,
E as lições que aprendi.
Não se tornariam tristes
Como triste eu me tornei.



 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões

Você meu amor

Você meu amor

Do meu jardim,
Você é a flor.
Da minha alma,
Você é a calma
Do meu desejo,
Você é o querer.
Da minha vida
Você é o viver.
Você meu amor.
O que é um jardim sem flor?
O que é a vida sem o viver?
O que é o desejo sem o querer?
Quem sou eu sem ter você.
Você, meu amor.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões



Da Autenticidade - Acreditar e Confiar

Da Autenticidade
O falso orgulho esta pra falsa humildade 
tanto quanto a hipocrisia pra sinceridade.
Autenticidade é uma conquista de maior
amplitude. 


Acreditar e Confiar
Acredite em você e em pessoas. Quanto a confiar,
 não convém,  nem em você mesmo, 
pois capaz será de trair a si próprio.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões




Feitiço Moreno

Feitiço Moreno
Essa morena
Me deixou encabulado,
Me deixou enfeitiçado,
Me deixou desarmado.
Me encabulou
Com seu andar.
Me enfeitiçou
Com seu olhar.
Me desarmou
Com seu jeitinho de anjinho
Jeitinho de anjinho.


 Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões

Lobos e Pastores - Arterista

Lobos e Pastores

Nos dias atuais, os lobos estão mais espertos.
Invés de se camuflarem com peles de cordeiros,
Disfarçam-se em vestes de pastores.



Arterista

Quando eu era pequeno
Mamãe sempre dizia
Que pra fazer arte
Eu não tinha preguiça
Não sei se era arteiro
Ou se era artista
E isso, nem mamãe sabia.

Maurício Carvalho Marques 
livro Barco de Ilusões







Vida Zeferina

Vida Zeferina

Zé, um pobre rapaz
Desempregado.
Veio do norte pra cá
Pagar seu pecado.
Achando, aqui acharia
Dinheiro no chão.
No bolso uns trocados
Da venda do gado.
Mau deu pro aluguel
E pensão.
Zé tem trabalho, não.
Maria passa pra fora.
Zequinha mangueia no seco.
Tereza pede esmola.
Se a morte não chegar
Pro norte vou voltar
Pois a seca é lá
Mas a sede é cá.


Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões

Sonhos de Padaria

Sonhos de Padaria
Balconista, por favor
Um sonho pequeno
De creme.
Me lembrou Ana Clara
Sonho de Creme
Hum... Que delícia!
Ana Clara me falou:
Você é imaturo, inseguro
E, não quer crescer.
Vê se cresce, desaparece
E me esquece.
Sonhos pequenos de padaria...
Hum... Que delícia!
Balconista, por favor
Mais um sonho pequeno
De chocolate.
Me lembrou Ana Preta
Sonho de chocolate
Hum... Que delícia!
Ana Preta me falou,
Não, ela não disse nada
E de nada reclamou
Mas ficou só um pouquinho...
Sonhos pequenos de padaria...
Hum... Que delícia!
Balconista, por favor
Outro sonho pequeno
De doce de leite.
Me lembrou Ambrosina
Sonho de doce de leite
Hum... Que delícia!
Ambrosina me aceitou
Mas impôs condição.
Então eu descobri
Em  mim quem manda
É o coração.
Sonhos pequenos de padaria...
Hum... Que delícia!
Balconista, por favor
Um Sonho Grande pra viagem.
Hum... Tem de Morango com Calda de Ameixa?!?

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões











44

Essa Menina

Essa Menina

Essa menina me tira do sério
Me pira a cabeça
Com os seus mistérios.
Essa menina me deixa maluco
Me deixa cabreiro
Me deixa confuso
Diz que me ama
Mas, que é complicado
Me leva pra dançar
E me deixa encostado
Me chama pra brincar
E me deixa parado
Ela dá pra todo mundo
Só não da pra mim
Ela rega qualquer flor
Só não as do meu jardim.
Eu já estou desconfiado
Que essa menina não gosta de mim.

Maurício Carvalho Marques
livro "Barco de Ilusões"








Eu não sei

Eu não sei

Se é amor,
Eu não sei.
Se é paixão,
Eu não sei.
Se é tesão,
Eu não Sei.
Atração?
Eu não sei.
Se eu minto
Quando digo o que sinto.
Eu não sei.
O que há comigo,
Eu não sei.
Eu só sei,
Que eu não sei.
E da canção
Eu cansei.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões





Pras Minas e pros Manos

Pras Minas e pros Manos.
É só maldade do outro lado da cidade.
Periferia, noite é dia;
Tem dia, quando chega a noite,
É daquele jeito:
É fóda!
O Mal anda destacado
Em companhia
De matadores
Caçadores desumanos
De humanos.
É só maldade do outro lado da cidade.
O Bem, bem disfarçado
No sorriso da criança
Traz esperança
De um dia
Nossa periferia
Inserida no contexto
Igualdade em oportunidades
A favela, grande irmandade.
Mas, é só maldade do outro lado da cidade.
O mal escancarado
Na fome e na miséria
Que atenta implacável
Contra os sonhos
E contra a fé.
É só maldade do outro lado da cidade.
O mal escachado
No político desonesto
Assaltante à mão desalmada.
Latrocída, infanticida
Culpado da infância sofrida.
É muita maldade do outro lado da cidade.
Mas, o bem se faz presente
No pai de família
Na mina de fé
Na dona Maria
No mano firmeza
Que insiste
Resiste
Acredita
Na paz, compreensão
E o bem maior
A consciência
Que somos todos irmãos.
Minas e Manos.

Maurício Carvalho Marques
livro Barco de Ilusões